A riqueza do processo.

O processo de construção dos autorretratos das crianças trouxe , sensibilidades e aprendizagens. Pois possibilitou que elas reconhecessem suas próprias características, percebendo que, em alguns momentos, podem ser parecidas com as outras pessoas , mas apenas parecidas, pois cada indivíduo é único, com suas particularidades físicas e emocionais.
Ao longo das propostas, foi possível observar que, nos retratos, surgiam expressões que nos remetiam a momentos do cotidiano, como se cada desenho carregasse um pouco das vivências e sentimentos das crianças. As escolhas das formas dos olhos, da boca e do rosto favoreceram um movimento de olhar para si mesmas promovendo reconhecimento e admiração.

O percurso aconteceu de maneira gradual: primeiro, observaram seus rostos no espelho; depois, em fotografias ampliadas; em seguida, exploraram a proposta de completar metade de seu rosto, desafiando-se a perceber proporções e detalhes. Aos poucos, avançaram para o esboço do rosto completo, até chegarem ao resultado final, único, assim como cada criança.
Paralelamente, o trabalho também se entrelaçou com as reflexões sobre as famílias, trazendo-as como ponto de partida para pensar na diversidade existente. Pergunta importante a ser feita : o que é família? Quem mora comigo! Quem está perto de mim! Quem cuida de mim! Quem me faz feliz!Essas reflexões ampliaram o olhar das crianças para além de si, valorizando os diferentes contextos e relações.

No dia da exposição, o espaço inicialmente pensado também seria utilizado para outra comemoração. Poderíamos imaginar sentimentos como desespero ou preocupação, mas eles não fizeram morada naquela manhã. Havia um ventinho gelado, acompanhado de um sol gostoso daquele que toca o rosto e nos faz até fechar os olhos para senti-lo melhor.
Diante disso, surgiram ideias: “E se usarmos as árvores?” Entre sugestões e conversas, escolhemos um novo cenário. Assim, fomos acolhidos por uma majestosa árvore, que se tornou parte essencial daquele momento.

Juntos, organizamos tudo com cuidado: os autorretratos foram pendurados, as brincadeiras preparadas, uma toalha florida estendida. As famílias começaram a chegar, trazendo comidinhas gostosas, abraços, sorrisos… bolhas de sabão voavam pelo ar, completando aquele cenário cheio de vida.
Havia ali uma beleza difícil de descrever. Um olhar que, por vezes, sinto como o de quem observa de fora, que gostaria muito de retratar mas
talvez por não ter tanta intimidade com a pintura se torna difícil, mas que ainda assim se registra profundamente em minha memória. Em meio a tudo aquilo, me peguei dizendo: “Nossa, está tão lindo ver tudo isso…”.

E realmente estava. A cena parecia uma verdadeira obra de arte uma Manhã de outono.

Professora Thais

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