Convites provocantes do nosso quintal.

Amo passear pelo quintal com a Regina, é a nossa oportunidade de mergulhar na poesia da natureza, abrir as lentes para pequenos detalhes de plantas, insetos e outros, expostas ao Sol e as crianças, vamos longe nos pensamentos sobre a sutil imensidão da vida, que só se revela em devaneios profundos de lucidez.

Ela me mostrou uma formação estranha em um ipezinho de jardim, acredito ser um fungo lancei um olhar amplo e genérico,  nosso solo ainda é pobre e está em processo de regeneração, falta nutrientes, outras árvores fazem sombra em suas irmãs, o que contribui para outras deficiências que tornam algumas plantas mais suscetíveis a ataques externos.

Quem nós queremos que prospere nessa luta pelo Sol? Não queremos podar, mas queremos que todas estejam perfeitas. Lancei que nós damos a possibilidade que a natureza encontre seus próprios meios de regulação, como na floresta selvagem, nós só ajudamos um pouco.

Sugeri o uso dos biofertilizantes dos minhocários da escola, que tenho insistido e orientado seu uso para a equipe. Isso é parte da nossa riqueza.

Pensamos que isso seria um bom problema para a turma do F1 G1 que tem atuado no quintal extraindo mudas da nossa belíssima Jangada Brava para doação, uma bela forma de espalharmos um pouco da nossa riqueza para além do nosso quintal.

Levamos para a reunião do fundamental, a Thais aceitou, nos organizamos para que eu visite o grupo da Thais, enquanto a Fefa visita o meu, intercâmbio de habilidades.

Primeiro dia de visita, iniciamos com uma conversa sobre o quintal, levei fotos do quintal em 2018 e do quintal agora, a diferença é extraordinária, impressionante aos olhos, a faísca perfeita para uma conversa que rendeu.

Passamos pelo antes e depois, analizamos outras plantas com outros possíveis problemas, falamos sobre nome popular e nome científico, sobre a importância da luz solar para a plantas, sobre bichinhos que as atacam, sobre solo nutrientes e microorganismos, sobre as minhocas e o uso dos minhocários para gerar nutrientes, a diferença entre o biofertilizante, líquido que sai do minhocário e o chorume líquido  contaminante que sai do lixo misturado, assunto que eles pesquisaram antes nos estudos sobre lixo que estavam fazendo. Todos estavam muito interessados, participativos e trazendo os assuntos conforme eu e a Thais lançávamos perguntas e observações.

Questionei quantos tipos de frutas do quintal já conseguimos comer. Levantamos apenas 3, pitanga, amora e banana. Embora haja outras frutíferas que ainda não produzem frutos como caramboleira, acerola, lichia, mexeriqueira e pé de café, por exemplo. Nisso contei qual é o meu maior sonho para o quintal: que tenhamos muitas frutas e flores para as crianças se deliciarem com boca e olhos.

Sugeri uma lista de desejos para o quintal, e a Thais também pensou em trazer o microscópio na próxima aula para olharmos de perto a formação estranha que a Regina encontrou.

Ainda pensei em fazermos um levantamento das espécies que temos, quais são tóxicas e quem sabe, criarmos plaquinhas para todas elas. Brincar de descobrir a origem e significado do nome de cada criança também poderia ser uma idéia interessante, que casa com a questão do nome científico das plantas que surgiu durante a conversa….

PS. Uma vez, durante a pandemia sonhei que eu estava casando no quintal, no sonho ele era um pouco diferente e maior, mas na percepção onírica era o quintal, e eu e Regina passeávamos contentes e empolgadas por ele, colhendo frutas e comendo, todos estavam alegres, fizemos uma grande roda de pessoas para a celebração, mas infelizmente de repente percebi que não podia abraçar as pessoas e esse problema me fez despertar.

Que bom que agora mais um grupo está abraçando o quintal e que possamos viver muitos outros abraços de carinho e cuidado com o planeta e seus seres.

Mergulhemos nesse lindo abraço da viva.

Professora Margarete

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